30 de dezembro

30 de dezembro é uma data muito infeliz, assim como 23 de dezembro.
Antecedem duas das noites mais importantes para a sociedade ocidental, mas, tal qual os últimos minutos antes do final do expediente de uma sexta-feira, estão ali, aparentemente, apenas para… demorar.
É isso.
A função que lhes foi involuntariamente atribuída é apenas essa: demorar. Ficar no meio do caminho daqueles que esperam a festança e a comilança começar!
Pobres 23 e 30 de dezembro..
Escrevo sobre esses dias, mas, é claro que não estou me referindo a eles. Dias não tem personalidade, não se importam com o que pensamos deles.
Trata-se de uma metáfora estranha para aquelas pessoas que todos conhecemos que parecem viver suas vidas na antessala das oportunidades.
Esperando e esperando por uma chance que, parece, nunca virá.
E, enquanto isso, vários 23 e 30 de dezembro vêm e vão. E virão e irão novamente, levando consigo esses coadjuvantes da vida a um triste esquecimento.

Cão de gravata. Seu argumento é invalido… (Taken with instagram)

Cão de gravata. Seu argumento é invalido… (Taken with instagram)

Teste do instaram (Taken with instagram)

Teste do instaram (Taken with instagram)

Conforta-me

Empurro meus pés sob os seus.
Passo as mãos por seus braços.
Turbo seu sono à madrugada.
Você talvez não entenda, não se conforma.
É que saber que te incomodo, me conforta.

Viagem ansiada

Despertei de estranho sonho.
E sorri: “finalmente, ao seu encontro!”
Nada mais me impede,
Nada mais me espera!
“Finalmente, ao seu encontro!”
Há quanto tempo não a vejo?
Há quanto tempo sonho?
Não importa: “Finalmente! Finalmente!”

Caminho a passos largos, tortos.
“Finalmente, finalmente!”
Caminhar é tão difícil.
“O horizonte, tão vermelho?”
Não importa. Finalmente, finalmente.
Areia sob meus pés, de onde vieram? Não importa.
“Ela me espera!”
Corro sorrindo. Sorriso frouxo.
Para o fim da dor.
Finalmente.
Ao seu encontro.

lekkerdices:

Japas: eles realmente sabem construir as coisas

lekkerdices:

Japas: eles realmente sabem construir as coisas

Feliz insônia!

Madrugada plena.
Cansaço me dói o corpo.
Por que não durmo?
Não é que me falte o sono,
Nem mesmo as preocupações do mundo.
É minha família.
Minha doce, feliz e ressonante família.
Mas se engana quem leia esses versos
E pense tratar-se de incômodo.
A verdade é que assisto a tudo
Como quem vive
Um sonho.
Feliz insônia!

Missão

Rabisco em verbos tortos
O que minha alma até de mim guarda
E revela, apenas, e tão apenas.
Que faz o aluno quando desperta do torpor?

Enfim

Pela última vez,
Fecho meus olhos.
Ouço a música
Que, em segredo, escolhi.
Tanto a dizer, tanto a fazer
Não há tempo.
Ouço a música que,
Em segredo,
Escolhi.

Dói

Chegar ao fim de um livro dói.
Quantas vezes me peguei torcendo para que houvesse mais páginas.
Que o autor tivesse se esmerado um pouco mais.
- Por que me deixas assim, tão cedo? Acaso não lhe fui fiel por todas essas páginas?
O leitor sabe que, quando fechar o livro, aquele é um amigo com o qual nunca mais terá contato.
Reler, não é a mesma coisa. É como assistir à filmagem de seu casamento. É bom, mas nada comparado.
Piora quando se sabe que aquele brilhantismo que o cativou retornou ao éter, a essência de onde, por tanto tempo, extraiu inspiração.
Chegar ao fim de um livro dói.
Como o pulsar intermitente do cursor do editor de texto dizendo: “e agora”?